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04/03/2016 - 11h45m

Artesã apresenta AL por entre as cores do tradicional chapéu de guerreiro

Mestre Patrimônio Vivo do Estado terá peças em exposição na Semana do Artesão

Artesã apresenta AL por entre as cores do tradicional chapéu de guerreiro

Autodidata, Vânia reconheceu sozinha sua vocação e o amor pela arte e conquistou o título de Mestra Artesã e Patrimônio Vivo de Alagoas com o seu chapéu de guerreiro

Texto de Andressa Alves

O brilho das lantejoulas e tecidos, unidos aos detalhes em espelhos, que aplicados com suavidade e delicadeza, ganham formas de igrejas e catedrais. Por último, o colorido das fitas. Ricas na diversidade de tons, giram, dançam e encantam os olhos de quem assiste, acompanhando os movimentos de quem os sustenta.
 

Para quem conhece as referências culturais de Alagoas, a definição acima entrega que estamos falando do tradicional chapéu de guerreiro, um dos mais importantes e conhecidos folguedos e que é símbolo da cultural local. É essa a principal inspiração utilizada por Vânia Oliveira, de 59 anos, reconhecida como Mestre Artesã e Patrimônio Vivo do Estado por reproduzir em suas peças o adereço.

"Eu gosto de valorizar a cultura popular daqui. A gente sabe que é importante mostrar aos mais novos a necessidade de aderir a esse movimento e de conhecer o que possui a cara de Alagoas. Através do artesanato, a gente consegue mostrar a riqueza que nós temos em produção”, afirma Vânia Oliveira.

 Fora dos livros

 Ao definir os folguedos, dentre eles o guerreiro que inspira Dona Vânia, Théo Brandão, o primeiro a conceituar as manifestações folclóricas, classificou como “tudo aquilo que o homem de qualquer nível social aprendeu fora dos livros, da escola e dos diversos meios de difusão cultural”. A explicação estabelece diálogo com a maneira como a artesã desenvolveu seu ofício.

Autodidata, Vânia reconheceu sozinha sua vocação e o amor pela arte. Segundo ela, tudo começou há 32 anos, quando tentava criar as lembranças de aniversário de sua filha. Entre um produto, o aperfeiçoamento e desejo de reproduzir a cultura local de alguma forma, a artesã tornou a confecção de peças cada vez mais elaborada, transformando-se em um dos principais nomes do artesanato alagoano.

 Como prova disso, são várias as conquistas. A última delas será exibida em rede nacional ainda este mês com a novela Velho Chico, nova trama da Rede Globo que discorre sobre aspectos da vida nordestina e ribeirinha. Na fase de gravações, realizadas no município de Piranhas, a produção do programa escolheu Dona Vânia para produzir o chapéu do guerreiro que deverá ser usado por um dos personagens.

Transmitindo saberes

Apesar de não ter sido instruída e considerar o dom para o artesanato algo natural, a profissional sabe da importância de repassar seus conhecimentos. Para amigos, alunos, familiares, vizinhos e a quem mais interessar, Dona Vânia está sempre disposta a mostrar, passo a passo, o que aprendeu com a vida.

“Eu gosto de repassar tudo que faço para minha arte não morrer. No dia que eu for embora, pelo menos ficam algumas sementes. E hoje eu sei que tenho sementes germinadas por aí a fora. Já passou muita, muita gente pela minha mão, que hoje já está no mercado de trabalho. Somos colegas de profissão e isso me orgulha muito”.

O reconhecimento das pessoas, aliado à tarefa de transmitir os saberes, levou Vânia Oliveira a conquistar o título de Mestra Artesã e Patrimônio Vivo de Alagoas pela Secretaria de Cultura (Secult). A artesã foi escolhida pela representatividade e pela preservação da cultura alagoana por meio do trabalho artesanal.

Indo além dessas terras, a artesã tem, ainda, o reconhecimento nacional. De acordo com ela, a participação em feiras e eventos em todo o Brasil traz resultados positivos para o artesanato de Alagoas, além de funcionar como um espaço para contatos e divulgação na comercialização dos produtos.  

Por amor à arte

Se os últimos anos têm resultado em tantas conquistas para Dona Vânia, o caminho até elas não foi fácil.  Falta de dinheiro para produzir as peças e pouco espaço de comercialização foram algumas das dificuldades encontradas pela artesã em sua trajetória.

Para o bem da produção artesanal de Alagoas, nenhum dos empecilhos desanima a artesã, que segue confiante, acreditando no papel transformador da arte.

“A gente tem um leque muito grande. O artesanato está inserido em vários segmentos sociais. A educação pode atuar em conjunto com o artesanato. Através disso, a gente pode conquistar muitos objetivos”, disse.

Semana do Artesão 

Para valorizar, fomentar e reconhecer esse trabalho, o Governo de Alagoas vai realizar, de 17 a 22 de março, no Memorial à República, uma semana de atividades alusivas ao Dia do Artesão.

Durante a semana, a população poderá visitar a exposição das peças com as principais tipologias do artesanato alagoano, no hall principal do Memorial, em Jaraguá, das 9h às 20h. Ainda nas atividades, serão realizadas palestras, oficinas criativas e a comercialização do artesanato no caminhão loja da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico e Turismo (Sedetur).

Os visitantes terão, ainda, a estrutura de uma praça com os foodtrucks, no estacionamento da praça Marcílio Dias. A programação completa pode ser conferida no site da Sedetur, sedetur.al.gov.br.

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